A transformação digital do Sistema Único de Saúde (SUS) avança rapidamente, e a interoperabilidade, que podemos entender como a capacidade de diferentes sistemas compartilharem e utilizarem informações de forma integrada, tornou-se um dos pilares desse processo. Embora seja muitas vezes apresentada como um conceito técnico, a interoperabilidade é também uma arena de disputas políticas, regulatórias e sociais. Disputa essa que define quem controla, acessa e se beneficia dos dados em saúde no país.
Para aprofundar esse debate, a Coalizão Direitos na Rede (CDR) realizou, em 03/12, o 2º Encontro de Saúde Digital “Interoquê?! Interoperabilidade, da tecnologia à política”. O evento reuniu movimentos sociais, pesquisadores, especialistas e gestores públicos em torno dos desafios e oportunidades da transformação digital no SUS. Além disso, marcou o lançamento da publicação “Interoperabilidade, da tecnologia à política”.
Nossa codiretora Clarissa França e Isabel Xavier, coordenadora do GT Saúde Digital, contribuíram para a revisão de conteúdo da publicação. Assim, mais uma vez, reforçando o compromisso do Aqualtune Lab com debates qualificados e com a defesa de um ecossistema de saúde digital que proteja direitos e amplie o acesso.
Uma agenda coletiva para a saúde digital no SUS

A publicação dá continuidade ao trabalho iniciado em 2024, quando a CDR e organizações parceiras divulgaram a Carta Aberta: Uma Agenda para a Saúde Digital. O documento consolidou diferentes perspectivas sobre o futuro da saúde digital. Para isso, partiu das lutas históricas que estruturaram o SUS, bem como de princípios como equidade, transparência, autonomia pública e participação social.
Essa agenda comum tem como objetivo orientar decisões, fortalecer políticas públicas e ampliar o debate sobre o uso de tecnologias de informação e comunicação na saúde. Em um cenário de digitalização acelerada, garantir que esses processos sejam conduzidos com responsabilidade e alinhamento aos direitos fundamentais é essencial.
O que a nova publicação traz sobre interoperabilidade
A publicação “Interoperabilidade, da tecnologia à política” apresenta duas pesquisas complementares:
- “Reflexões sobre interoperabilidade na saúde brasileira”, realizada por Raquel Rachid e Joyce Maldonado, analisa os contextos institucionais, regulatórios e sociais que moldam a implementação da interoperabilidade no Brasil.
- “Interoperabilidade em saúde: perspectiva tecnológica”, conduzida por Bruno Penteado, detalha os aspectos técnicos que sustentam a comunicação entre sistemas, traduzindo o “tecniquês” em linguagem acessível.
Juntas, essas pesquisas oferecem uma visão integrada e crítica sobre como tecnologias digitais vêm sendo incorporadas às políticas públicas de saúde.

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