A maioria dos brasileiros apoia a regulação de tecnologias de vigilância e reconhece os riscos associados ao uso de reconhecimento facial na segurança pública. Ainda assim, uma parcela significativa da população acredita que, no futuro, a precisão desses sistemas poderá chegar a 100%. As conclusões fazem parte de uma pesquisa realizada pelo Aqualtune Lab, em parceria com a plataforma Swayable, que avalia o desempenho de mensagens entre públicos variados.
Confiança na tecnologia convive com aumento da percepção de risco
O estudo contou com cerca de 2.930 participantes, selecionados de forma anônima, aleatória e gratuita, representando diferentes gêneros, faixas etárias, níveis de escolaridade, rendas e regiões do país. As pessoas foram expostas a informações sobre a ocorrência de falsos positivos em reconhecimento facial e convidadas a refletir sobre sua possibilidade de serem vítimas desse tipo de erro.
Mais de 66% dos entrevistados acreditam que ferramentas de reconhecimento facial podem alcançar precisão total na identificação de suspeitos. Essa confiança, porém, contrasta com o impacto informativo do conteúdo testado: após a exposição ao material desenvolvido pelo Aqualtune Lab, a percepção de risco aumentou 12,1%, especialmente entre pessoas brancas, pardas e indígenas.
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Reconhecimento facial segue como pauta em alta
A pesquisa indica que o tema já circula na opinião pública: 50% das pessoas afirmaram ter algum conhecimento prévio sobre o assunto. Para especialistas em direitos digitais, racismo algorítmico e justiça racial, os dados reforçam a importância de ampliar o debate sobre o avanço dessas tecnologias no Brasil, considerando seu histórico de viés racial e erros recorrentes em outros países.
“Os dados revelam um paradoxo: cresce a consciência sobre os riscos, mas a confiança na tecnologia permanece alta. Isso mostra que o debate público ainda não acompanha a velocidade da adoção dessas ferramentas, especialmente considerando os vieses já comprovados”, afirma Arthur Almeida, fundador e codiretor do Aqualtune Lab.
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Apoio ao uso policial cai após exposição ao conteúdo
O estudo também avaliou como mensagens sobre o uso de reconhecimento facial em períodos festivos influenciam a opinião pública. Como acontece no Carnaval, por exemplo, quando há monitoramento ampliado. Após a leitura do material, o apoio ao uso da tecnologia pela polícia caiu oito pontos percentuais. A redução mais expressiva foi entre pessoas pardas e pretas.
Outro resultado relevante aponta que a demanda por regulação das tecnologias de vigilância supera 70%. Além disso, 70% dos entrevistados acreditam que pessoas negras estão mais expostas a prisões injustas decorrentes de falsos positivos.
“Os resultados mostram que parte da população ainda não dimensiona o risco, mas reconhece a vulnerabilidade de pessoas negras frente a essas tecnologias”, destaca Almeida.
Desempenho do conteúdo e percepção institucional
Do ponto de vista comunicacional, a mensagem do Aqualtune Lab apresentou forte impacto. Mais de 80% das pessoas aprovaram o conteúdo avaliado, e cerca de 60% declararam ter uma opinião favorável sobre o trabalho realizado pelo instituto.
A pesquisa foi conduzida por meio de aplicativos de celular na última semana de novembro e apresenta 90% de precisão amostral.

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