Ao longo dos últimos cinco anos, o Aqualtune Lab consolidou-se como um espaço de produção de conhecimento, bem como articulação e incidência comprometido com a justiça racial e a equidade social. Essa trajetória é resultado do trabalho coletivo, da escuta ativa dos territórios e da construção de soluções que dialogam com a realidade de populações historicamente marginalizadas. Dessa forma, reafirma o papel do instituto como agente de transformação social.
Celebrar esse aniversário, então, é também um exercício de memória e reconhecimento. Cada passo dado até aqui carrega aprendizados, desafios superados e conquistas que fortalecem a missão do Aqualtune Lab e ampliam seu impacto.
Relembrar essa caminhada é fundamental para valorizar o percurso construído e projetar, com responsabilidade e propósito, os próximos anos de atuação. Por isso, confira a seguir laguna dos momentos marcantes da instituição.
Nossas publicações
Em 2023, lançamos duas publicações para ampliar e difundir a visão social do Aqualtune Lab: a cartilha Akoben e o Documento Preto.
Documento Preto

Uma das publicações mais relevantes do Aqualtune Lab em seus cinco anos de atuação é o Documento Preto I. A edição reúne contribuições do instituto para o debate sobre a regulação da Inteligência Artificial no Brasil.
Lançado em um momento estratégico, o material se insere diretamente nas discussões do Congresso Nacional sobre a regulação da inteligência artificial no país. A publicação parte do reconhecimento de que o racismo é estrutural e histórico na sociedade brasileira. Além disso, destaca como esse sistema de opressão se adapta a novos contextos, inclusive aos avanços tecnológicos, tornando-se menos visível, porém igualmente prejudicial.
Nesse cenário, o Aqualtune Lab reforçou a importância de analisar o desenvolvimento da IA a partir de uma perspectiva antirracista e comprometida com os direitos humanos.
Ao longo do documento, o instituto chama atenção para aplicações concretas da inteligência artificial que já produzem impactos negativos, como as tecnologias de reconhecimento facial. Esses sistemas afetam de forma desproporcional a população negra e pobre, reforçando práticas de discriminação racial indireta e a lógica do “suspeito natural”.
Ao mesmo tempo, a publicação aponta a necessidade de uma legislação que estabeleça, de forma explícita, o dever de sistemas de inteligência artificial serem antirracistas.
Cartilha Akoben
A Cartilha Akoben – Antirracismo na Organização de Eventos, disponível para download gratuito em PDF, amplia o debate sobre diversidade, equidade e inclusão na construção de eventos. Inspirado no símbolo Adinkra Akoben, que também orienta a identidade do instituto, o guia parte do reconhecimento da invisibilidade histórica de pessoas negras nesses espaços. Assim, propõe a ampliação de vozes, pautas e referências a partir de uma perspectiva antirracista.
Além disso, a Cartilha Akoben integra uma iniciativa estruturada em duas frentes. De um lado, apresenta um modelo de compromisso voluntário para instituições públicas e privadas que desejam enfrentar o racismo estrutural na organização de eventos. De outro, reúne uma lista pública com 69 pessoas negras com expertise na interface entre direito e TICs, acompanhada de contatos e áreas de atuação.
Além disso, a Cartilha Akoben integra uma iniciativa estruturada em duas frentes. De um lado, apresenta um modelo de compromisso voluntário para instituições públicas e privadas que desejam enfrentar o racismo estrutural na organização de eventos. De outro, reúne uma lista pública com 69 pessoas negras com expertise na interface entre direito e TICs, acompanhada de contatos e áreas de atuação.

Ademais, o guia indica materiais informativos recentes, iniciativas inspiradoras, referências internacionais e passos práticos para fomentar a participação de pessoas negras. Dessa forma, o Aqualtune Lab oferece uma ferramenta concreta para transformar práticas institucionais e fortalecer a inclusão.
O primeiro Quilombo Tech
O Quilombo Tech é um dos principais eventos anuais promovidos pelo Aqualtune Lab e marca a agenda do instituto todo mês de novembro. Tendo como palavra de ordem o aquilombamento, o evento reúne integrantes do coletivo, além de profissionais, pesquisadores e estudantes interessados em discutir tecnologia, racismo e direitos humanos a partir de uma perspectiva antirracista.
Leia mais: Quilombo Tech 2025: planejamento estratégico e construção coletiva para 2026
Certamente, desde 2022, o Quilombo Tech fortalece o caráter institucional e estratégico da iniciativa. Com apoio da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP) da USP, o evento foi uma das primeiras ações do calendário do Novembro Negro da universidade em parceira com o instituto. A proposta é criar um espaço de troca, escuta e aproximação entre diferentes instituições e coletivos que atuam na interseção entre tecnologia e justiça racial.
Ao estimular reflexões sobre vigilância, inteligência artificial, internet e discriminação, o evento contribui para a construção de práticas e políticas antirracistas, conectando academia, sociedade civil e movimentos sociais em torno de uma agenda transformadora.
Carta aberta contra fim da checagem de fatos pela META
O Aqualtune Lab integrou o grupo de mais de 60 organizações, centros de pesquisa e coletivos de diferentes países que assinaram uma carta aberta contra o anúncio da Meta sobre o fim da checagem de fatos em suas plataformas. A decisão, comunicada pelo CEO Mark Zuckerberg, gerou forte reação da comunidade acadêmica e da sociedade civil. Afinal, representa um grave retrocesso na promoção de um ambiente digital mais seguro.
No documento, as entidades reforçam a urgência de uma regulação das redes sociais que priorize os direitos humanos, assim como pela segurança digital e a proteção de grupos vulnerabilizados.
Leia mais: Desigualdade no acesso às redes: por que a exclusão digital ainda molda quem pode participar do futuro
A carta critica, portanto, a intenção da Meta de ampliar a recomendação de conteúdos políticos, apontando que a medida tende a intensificar as bolhas informacionais. Estudos já demonstram que esses efeitos favorecem a disseminação de desinformação, discurso de ódio e conteúdos prejudiciais, comprometendo o debate público e a construção de sociedades mais justas e democráticas.
Por fim, o posicionamento denuncia o alinhamento da Meta a uma retórica contrária a iniciativas regulatórias legítimas, ao associá-las indevidamente à censura.
Aqualtune Lab por uma missão
Para ampliar o debate público sobre a relação entre tecnologia e racismo, o Aqualtune Lab tem atuado na produção de conhecimento e na formação de pessoas em todo o Brasil. Aliás, o instituto alerta para os impactos concretos do uso de tecnologias diversas na vida da população negra.
É a partir dessa motivação que os diretores do Aqualtune Lab compartilham, nos vídeos a seguir, as razões que levaram à criação do instituto e os desejos para o seu futuro.
