Quando um algoritmo nega crédito, um sistema de saúde ignora sintomas ou uma plataforma digital amplifica o ódio a um grupo específico, nota-se que o preconceito encontrou novas ferramentas. É para enfrentar e disputar espaço nessa nova realidade tecnológica que o Aqualtune Lab, junto ao Instituto Sumaúma, o Instituto Mancala e a Reafro, promove o I Congresso Internacional sobre Desigualdades Raciais e Tecnologias Digitais.
Chamar a atenção da sociedade para o uso racista das tecnologias e influenciar a formulação de políticas públicas: essa é uma das metas centrais do evento.
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O que é o congresso e por que ele importa agora
O Brasil concentra uma das maiores populações negras do mundo fora do continente africano e, ao mesmo tempo, avança aceleradamente na adoção de inteligência artificial, plataformas digitais e sistemas automatizados de decisão. Essa combinação certamente torna urgente uma pergunta: a quem serve a tecnologia?
O congresso nasce, então, para respondê-la e para pensar em como agir a partir dessa resposta. O evento reúne pesquisadores, ativistas, juristas e profissionais de tecnologia do Brasil e do exterior com o objetivo de consolidar uma base de referência nacional sobre racismo e tecnologia, bem como ampliar parcerias internacionais e contribuir diretamente para os debates sobre regulamentação em curso no Legislativo.
Quando: 31 julho e 1º agosto
Onde: Faculdade de Saúde Pública da USP (São Paulo)
Os seis eixos temáticos do Congresso
A programação está organizada em torno de seis grandes temas que, aliás, atravessam o debate sobre racismo e tecnologia no Brasil e no mundo:
- Saúde Digital e relações étnico-raciais
- Plataformas digitais e as desigualdades
- Inteligência Artificial e suas relações com as desigualdades sociais
- Tecnologia, Educação e antirracismo
- Direitos Digitais e Racismos
- Impacto Social das tecnologias digitais
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Vozes internacionais confirmadas – O evento já conta, por exemplo, com a presença confirmada de Onica Nonhlanhla Makwakwa e Yonas Gebremichael Difer, dois nomes de destaque no cenário internacional de tecnologia e direitos digitais. A participação desses pesquisadores, de origem sul-africana e etíope, respectivamente, reforça a dimensão global do problema. Afinal, o racismo algorítmico não tem fronteiras.
Para quem é este congresso
O evento é para quem pensa, faz e sofre os efeitos da tecnologia: ou seja, professores, estudantes de graduação e pós-graduação, profissionais do direito e da tecnologia, representantes do Estado, organizações da sociedade civil, empresas de tecnologia e, claro, cidadãos.
Se você acredita que um mundo digital mais justo é possível e necessário, este é o seu lugar.
Acesso e inclusão – Oferece isenção de inscrição para pessoas autodeclaradas negras que atendam aos critérios estabelecidos pela organização. A paridade de gênero e a participação de jovens pesquisadores também são prioridades da curadoria.
Participe. Esse debate não pode esperar.
