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Congresso Umoja: o debate que o Brasil não pode adiar

As tecnologias digitais ocupam hoje um papel central na vida social. Plataformas digitais, sistemas de inteligência artificial, reconhecimento facial, algoritmos de recomendação e ferramentas automatizadas influenciam decisões relacionadas ao trabalho, […]

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As tecnologias digitais ocupam hoje um papel central na vida social. Plataformas digitais, sistemas de inteligência artificial, reconhecimento facial, algoritmos de recomendação e ferramentas automatizadas influenciam decisões relacionadas ao trabalho, à saúde, à educação, à segurança pública e ao acesso a direitos. Mas quem desenvolve essas tecnologias? Quais interesses orientam seu funcionamento? E quais grupos sociais são mais impactados por seus efeitos?

Essas são algumas das questões que estarão no centro do I Congresso Internacional sobre Desigualdades Raciais e Tecnologias Digitais. O evento acontece nos dias 31 de julho e 1º de agosto de 2026, na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP).

Primeiro evento de caráter internacional realizado no Brasil dedicado exclusivamente à relação entre racismo e tecnologias digitais, o Congresso Umoja reunirá pesquisadoras, ativistas, profissionais de tecnologia, gestores públicos, estudantes e organizações da sociedade civil para debater como sistemas digitais podem reproduzir, ampliar ou naturalizar desigualdades raciais já existentes.

Promovido pelo Aqualtune Lab, em parceria com o Instituto Mancala, o Instituto Sumaúma e a REAFRO, o encontro busca consolidar uma agenda nacional de pesquisa, incidência política, bem como produção de conhecimento sobre justiça racial no ambiente digital.

Tecnologia, desigualdades raciais e o futuro das políticas públicas

A expansão acelerada da inteligência artificial e das plataformas digitais, decerto, tem transformado profundamente a forma como sociedades organizam serviços, distribuem oportunidades e tomam decisões. Ao mesmo tempo, diversos estudos vêm demonstrando que tecnologias consideradas neutras podem reproduzir vieses raciais presentes nos dados utilizados para treiná-las e nos contextos sociais em que são implementadas.

Reconhecimento facial com taxas mais elevadas de erro para pessoas negras, sistemas automatizados de recrutamento que reproduzem padrões discriminatórios e ferramentas de moderação de conteúdo que afetam desproporcionalmente determinados grupos são alguns exemplos de como o racismo pode ser incorporado aos sistemas tecnológicos.

Nesse contexto, então, o Congresso Umoja nasce como um espaço estratégico para conectar pesquisa acadêmica, experiências comunitárias, formulação de políticas públicas e desenvolvimento tecnológico.

Segundo o professor Celso Eduardo Lins de Oliveira, integrante da organização do evento, o debate é urgente porque as tecnologias digitais já influenciam áreas fundamentais da vida cotidiana, como trabalho, saúde, educação e segurança pública. Por isso, o objetivo do congresso é contribuir tanto para o fortalecimento do debate público quanto para os processos de regulamentação e governança tecnológica em discussão no Brasil e em outros países.

Eixos temáticos do Congresso Umoja

Estruturou-se a programação em torno de seis grandes eixos de debate que refletem desafios contemporâneos da relação entre tecnologia e desigualdades raciais:

  • Saúde digital e relações étnico-raciais;
  • Plataformas digitais e desigualdades sociais;
  • Inteligência artificial e exclusão social;
  • Tecnologia, educação e antirracismo;
  • Direitos digitais e racismos;
  • Impactos sociais das tecnologias digitais.

A proposta é reunir perspectivas interdisciplinares e experiências de diferentes territórios para construir diagnósticos e propostas capazes de enfrentar os efeitos discriminatórios das tecnologias emergentes.

Programação reúne especialistas do Brasil, África do Sul e Etiópia

Ao longo dos dois dias, a programação combinará palestras internacionais, mesas-redondas, sessões temáticas de apresentação de trabalhos, oficinas práticas e atividades culturais.

31 de julho: colonialismo de dados e saúde digital

A palestra de abertura será conduzida por Yonas Gebremichael Difer, consultor em Inteligência Artificial para Desenvolvimento Econômico da GIZ e da União Africana, na Etiópia. Com o título Mining the Face: Data Colonialism and Algorithmic Governance in the Global South, a conferência discutirá as relações entre colonialismo de dados, governança algorítmica e desigualdades globais.

Na sequência, acontece a mesa-redonda Saúde Digital e Relações Étnico-Raciais, moderada por Taís Oliveira, fundadora e diretora executiva do Instituto Sumaúma, com participação de Douglas Belchior e convidados.

1º de agosto: educação, inclusão digital e tecnologia antirracista

O segundo dia terá como destaque a keynote When Code Discriminates: Confronting Racism in the Digital Age, apresentada por Onica Nonhlanhla Makwakwa, pesquisadora e especialista em inclusão digital e igualdade de gênero vinculada à Universidade de Illinois Urbana-Champaign.

À tarde, a mesa-redonda Educação e Tecnologia Antirracista será moderada por Odair Marques da Silva, coordenador da REAFRO e doutor em Ciências da Cultura.

Participam da mesa:

  • Vanessa Silva (Instituto Sumaúma);
  • Silvana Bahia (Olabi);
  • Elen Ferreira (Grupo de Trabalho de Educação do Aqualtune Lab).

Oficinas, apresentações de pesquisas e intercâmbio internacional

Além das conferências e mesas-redondas, o Congresso Umoja contará com sessões temáticas dedicadas à apresentação de pesquisas e experiências desenvolvidas em universidades, organizações da sociedade civil, movimentos sociais e instituições públicas.

As oficinas práticas oferecerão espaços de formação e troca de conhecimentos sobre temas relacionados à justiça racial, tecnologia e direitos digitais.

Por que participar do Congresso Umoja?

O debate sobre tecnologias digitais não pode ser restrito às empresas que as desenvolvem ou aos especialistas que as regulam. Seus impactos atravessam toda a sociedade e afetam de maneira desigual diferentes grupos sociais.

Ao reunir pesquisadoras, ativistas, profissionais da tecnologia, educadores, gestores públicos e estudantes, o Congresso Umoja busca fortalecer uma agenda coletiva capaz de enfrentar os desafios colocados pelo racismo algorítmico, pela exclusão digital e pelas desigualdades produzidas ou ampliadas por sistemas tecnológicos.

Mais do que identificar problemas, o encontro pretende construir caminhos para uma tecnologia comprometida com direitos humanos, justiça social e equidade racial.

Ingressos disponíveis

As inscrições para participação no I Congresso Internacional sobre Desigualdades Raciais e Tecnologias Digitais permanecem abertas até 20 de julho de 2026.

Pessoas negras autodeclaradas podem solicitar isenção integral da taxa de inscrição até 17 de julho, conforme as orientações disponíveis no site do evento.

O Congresso Umoja convida todas as pessoas interessadas em tecnologia, direitos digitais, educação, pesquisa, inovação e justiça racial a participar dessa construção coletiva sobre o futuro digital que queremos.

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